Transferência

Se as estatísticas de furto fossem aplicadas em conjunto às estatísticas de bolsismos brasileiros, os resultados da ascensão social seriam ainda melhores, é que transferência de renda é um nome aceitável para a defesa racional do roubo. Há certo problema no utopianismo às avessas do conservadorismo, que é a tragédia, o argumento de que sociedades que não seguem padrões de justiça morrem é falsa: sociedades convivem ordenadamente bem com as mais diversas imoralidades legalizadas, desde à escravidão legalizando o fim da liberdade ao coliseu romano legalizando assassinato e o fim da vida, e hoje o bolsismo à brasileira destruindo a propriedade privada. Todas essas sociedades alegram-se na própria torpeza.

A caridade verdadeira não veio enriquecer, a viúva com sua última moeda não iria mudar a vida de ninguém, contudo voluntariamente doou e sua caridade foi perfeita. A caridade socialista, impostada e indiscriminada, que salaria a criação de novos eleitores e coloca uma parte da população em regime de escravidão de outra, que vota a remoção dos direitos naturais da propriedade de quem não é responsável pela pobreza, é a figura do Estado tomando o lugar de um relacionamento excepcionalmente cristão.

Interpretação

Quem não faz distinção entre escandinavos e socialistas venezuelanos sofre de uma triste má interpretação de eventos, a corrupção para um pode beneficiar a vida pessoal de um ou dois políticos, mas a corrupção para outro é para benefício do partido, é usar a corrupção dos outros como instrumento político para avanço de uma agenda, compreende um golpe, um projeto de poder para atropelar a burocracia democrática.

Ninguém que votará em cubano irá entender essa apelação mas, deixem-lhes em paz pois não deixariam de votar no partido nem se a candidata ao cargo máximo do país tivesse pertencido a uma gangue de assaltante de bancos.

Clandestina

O problema mais difícil da questão do aborto não é a humanidade do unborn, mas a punibilidade. A analogia com o infanticídio é justa, afinal, se uma mãe buscasse dramatizar a decisão que a levou a matar um bebê de seis meses ela ainda seria vista como monstruosa, e claro que há quem tenha diversos motivos egoístas, porém a questão cultural aqui envolvida é obscura e a lei, sendo primitiva pois não consegue se desenvolver enquanto a tentam destruir, não abarca todo o drama do crime.

Tome por exemplo como a não admissão da paternidade influencia na decisão para a ocorrência do crime, conhecendo que o núcleo familiar está danificado, a decisão é razoável (não justa, porém razoável), contudo não há nenhuma séria responsabilidade em facilitar a decisão ou pressionar a gestante. Outra boa analogia que cabe ao caso é a periculosidade da agência abortiva, onde a relação é similar a do traficante com o usuário, nisso há uma relação rudimentar de prestação de serviços.

Mas a penalidade que cai sobre a mãe é similar à da máquina de morte que não só funciona para matar o que ainda não nasceu, mas a própria parceira do crime que assume o risco, quantas que forem (abortistas em geral não percebem que o procedimento abortivo é mais danoso à saúde da mãe que a condução natural da gravidez). Soa óbvio que uma mãe só pode abortar uma vez esporadicamente e a clínica clandestina aborta várias vezes ao dia, e recebe uma penalidade similar à materna enquanto essa assume os riscos do homicídio. Todavia todo o peso legislativo é centrado no usuário e não no fornecedor do serviço. Ainda falta alguma sensibilidade moral que leve à uma condenação penal proporcional aos plurais intentos de malignidade que envolve o crime.

Morte

É ironia que o grupo contra a menoridade penal seja o mesmo que aprove a pena de morte aos não nascidos para reduzir a criminalidade.

A lei com efeito não nasceu para eliminar o crime, estes mesmos com leis perfeitas jamais irão desaparecer, mas ofertar justiça à vítima. Que a lei seja vista como instrumento de manipulação e não como instrumento da justiça é reflexo da insanidade estatista.