Clandestina

O problema mais difícil da questão do aborto não é a humanidade do unborn, mas a punibilidade. A analogia com o infanticídio é justa, afinal, se uma mãe buscasse dramatizar a decisão que a levou a matar um bebê de seis meses ela ainda seria vista como monstruosa, e claro que há quem tenha diversos motivos egoístas, porém a questão cultural aqui envolvida é obscura e a lei, sendo primitiva pois não consegue se desenvolver enquanto a tentam destruir, não abarca todo o drama do crime.

Tome por exemplo como a não admissão da paternidade influencia na decisão para a ocorrência do crime, conhecendo que o núcleo familiar está danificado, a decisão é razoável (não justa, porém razoável), contudo não há nenhuma séria responsabilidade em facilitar a decisão ou pressionar a gestante. Outra boa analogia que cabe ao caso é a periculosidade da agência abortiva, onde a relação é similar a do traficante com o usuário, nisso há uma relação rudimentar de prestação de serviços.

Mas a penalidade que cai sobre a mãe é similar à da máquina de morte que não só funciona para matar o que ainda não nasceu, mas a própria parceira do crime que assume o risco, quantas que forem (abortistas em geral não percebem que o procedimento abortivo é mais danoso à saúde da mãe que a condução natural da gravidez). Soa óbvio que uma mãe só pode abortar uma vez esporadicamente e a clínica clandestina aborta várias vezes ao dia, e recebe uma penalidade similar à materna enquanto essa assume os riscos do homicídio. Todavia todo o peso legislativo é centrado no usuário e não no fornecedor do serviço. Ainda falta alguma sensibilidade moral que leve à uma condenação penal proporcional aos plurais intentos de malignidade que envolve o crime.

Morte

É ironia que o grupo contra a menoridade penal seja o mesmo que aprove a pena de morte aos não nascidos para reduzir a criminalidade.

A lei com efeito não nasceu para eliminar o crime, estes mesmos com leis perfeitas jamais irão desaparecer, mas ofertar justiça à vítima. Que a lei seja vista como instrumento de manipulação e não como instrumento da justiça é reflexo da insanidade estatista.

Especulação

Quem paga a enorme conta da utopia esquerdista teme a destruição, e por isso há histórica rivalidade da esquerda com a chamada especulação, afinal, é comum acreditar que o governo constrói estradas para as pessoas fazerem dinheiro, mas na realidade sem fazer dinheiro não haveria governo construindo estradas. Se a esquerda não ameaçasse sovietizar a nação de um dia para o outro, jamais haveria especulação desfavorável, é a guerra política dos que vivem na realidade e dos que vivem de sonhos.

Isso não muda que a esquerda se aproveita que o brasileiro tem apego ao indigenismo, à mania de tentar viver sem dinheiro de forma simples e coletivista, sua base eleitoral é uma montanha de mendigos conformados, vislumbrando uma aristocracia moral que não possuem, deixando-se assaltar a miséria que ostentam pela culpa de possuir um favor divinal à prosperidade. Os povos do norte amam a competição, a adversariedade, a busca pela felicidade, o que jamais pode causar efeito em solo nacional.

Sinuca

Não se trata da primeira vez, nem da última.

O caminho da aceitação é como uma mesa de sinuca onde um abismo atrai o outro, a primeira bola descategoriza a imoralidade como doença, contrariando que seria um crime abrindo a mesa para a tolerância, depois descobre-se que dizer que se trata de doença é imoral, que a suposta doença é natural, abrindo a mesa para a promoção das outrora vítimas de preconceito, onde se criminaliza o então tolerante com algum tipo de doença psicológica, colocando o normal na cadeia e o anormal na liberdade. A substituição do inocente pelo pecador é concluída.

Eis o destino daquele que buscava um meio termo com o mundo, um raciocínio comum e pragmático, para argumentar com seculares.