Consolá-la

Você nunca verá alguém se colocar no lugar de um assassino de 30 pessoas para defendê-lo da repreensão social, não é hipocrisia condenar um pedófilo pois não há quem diga “Estão com inveja, se pudessem fariam igual”, mas basta uma moça ter suas fantasias gravadas tornadas públicas que haverá milhares de virgens aguardando a oportunidade de consolá-la com rumores de que a sociedade é hipócrita, afinal, sexo com três ou cinco é tratado meramente como escolha de sabor de sorvete e aquilo que não é ilegal, só pode ser moral.

Transgressores

Não existe maior tropa de afetados dos que aqueles que se dizem transgressores. O país em que se é capaz de fazer saltar os seios em praças públicas, realizar paradas de sexo público no meio das ruas, invadir igrejas com roupas que não seriam usadas para visitar a avó se sente a vanguarda do progresso, mas basta um estrangeiro tocar em um sagrado doce nacional que o país vira uma turba de camponeses com tochas na mão.

Condição Indispensável

Todo esquerdista que alardeia querer serviços públicos gratuitos para os pobres e “o fim da desigualdade social” já mostra, só com isso, que está num estado alterado de consciência, seja causado por intoxicação química ou intoxicação pedagógica. A desigualdade social é a BASE E CONDIÇÃO INDISPENSÁVEL da gratuidade de quaisquer serviços públicos. Se não há uma classe rica da qual se possa extrair impostos para custear esses serviços, eles terão de ser custeados pelos pobres mesmos e aí já não serão mais gratuitos, embora continuem levando esse nome, exatamente como acontece nos países comunistas. É um raciocínio simples e auto-evidente, mas não conheço um só esquerdista que seja capaz de compreendê-lo.

Olavo de Carvalho

 

Império da Lei

[...]não duvido nada que, se o cidadão tiver em casa um revólver, mesmo que não dê um tiro no assaltante, seja preso e processado inafiançavelmente, enquanto o assaltante, réu primário, servirá pena de dois anos em regime semi-aberto. Tudo sob o império da lei.

Aqui.

O Brasil tem leis interessantíssimas, que vieram com as melhores intenções e rendem situações intrigantes. Por exemplo, como se sabe, se o sujeito for pego matando uma tartaruga protegida, vai preso sem fiança. Em contrapartida, se encher a cara, sair de carro e matar umas quatro pessoas, paga fiança e vai para casa. No caso da tartaruga, alguém raciocinará que é mais negócio matar o fiscal do Ibama, mesmo com testemunhas. Principalmente se estiver um pouco bêbedo, porque aqui é atenuante. É só escapar do flagrante, mostrar ser réu primário, conseguir responder ao processo em liberdade e, com azar, pegar aí seus dois aninhos de cana efetiva (em regime semi-aberto). Portanto, se aqui é mais negócio matar um homem do que uma tartaruga, não brinco.

E aqui.

João Ubaldo Ribeiro.