Dá certa tristeza ter de comentar assuntos ignorados pelo mundo mas que ganha firmeza em terras brasilianas, não sei se é culpa da nossa língua só ser falada em poucos países além de nossas fronteiras, mas é algo a se pensar o quão útil seria tornar o espanhol ou inglês a nossa segunda língua, quem sabe assim não nos tornaríamos uma gigante ilha voltada a si mesma ou acabar sendo surpreendidos por idéias do século XVIII.
Esse é o caso da conscienciologia que é mais ou menos um espiritismo 2.0, o espiritismo me parece o grande herdeiro do ocultismo maçônico gnoseo-esotérico iluminista, que mesclando ciência com “macumba” permitia criar uma religião positivista, com o divino sendo desnudado pela razão. Assim se encontra milhares de termos gregos para dar ares de cientificidade ao que, ironicamente, não pode ser comprovado pelo método científico.
Por causa desses ares de ciência, eles optam por experiências em laboratório, para delírio de quem acha que pode encontrar Deus em um tubo de ensaio. É através dessa Espiritualidade Mecânica do panteísmo, tão alheia à personalidade relacional de Deus, que se busca o “como” e não o “porque” das coisas desassociando moral da metafísica.
Jesus não curou pessoas para acabar com o sofrimento delas, as curou para provar um ponto, tanto que curou o cego, mas não tirou a cegueira do mundo, tampouco saltou do penhasco para ser agarrado por anjos ou transformou pedra em pão, sendo que podia ter simplesmente voado para longe dali ou após transformar pedra em quindim, ter multiplicado e compartilhado com anjos. Atos divinos na ordem natural possuem significado que a mera curiosidade não alcança, é necessário uma autoridade moral. A complexidade desse relacionamento não se mímica em laboratório. O cosmos é indiferente, o Deus do cristianismo por outro lado, é amor.
Não descreio que tais experiências aconteçam, até porque já ouvi falar que acontecem no cristianismo, mas aqui nunca desassociadas do poder divino, ou seja, se acontece é poder de Deus. Mas quando acontece de tal forma, quando é mero pragmatismo para excitar os sentidos só resta concluir que é uma religião com os determinantes efeitos da queda, uma experiência sem sentido para desviar do verdadeiro sentido da experiência.
Entre a chamada espiritualidade mais avançada e a medievalidade do cristianismo, prefiro o antiquado ao que há de mais bárbaro na atualidade, o cristianismo é histórico, e mais confiável do que uma aventura egocêntrica e vazia.
E claro, será que são tão científicos quanto pensam?