Bomba

Essa madrugada choveram comparações entre o 9 de setembro e as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki e acusações de que os EUA são os maiores terroristas da história. A hashtag parecia ser inventada pelos alunos do professor Carlão, um exemplo de professor brasileiro que entope a criançada com anti-americanismo terceiro-mundista.

O caso se aplica? Para quem não entende de história sim. Na Batalha de Saipan, segundo o historiador Herbert Bix, o Imperador Hirohito ordenou que todos os civis cometessem suicídio, e cerca de 22 mil civis, dos 25 mil que viviam na ilha, obedeceram. Em Okinawa, 1/3 da população da ilha cometeu suicídio (algumas vezes em ataques suicidas comandados por militares). Isso sem contar as baixas só do exército, onde muito poucos de milhares sobreviviam, para se ter idéia em Iwo Jima, de 19 mil soldados japoneses, apenas 200 sobreviveram, e em Saipan, dos 31 mil, 921 mantiveram a vida.¹

A linha entre militar e civil era embaçada devido a religião e código militar dos japoneses, uma invasão poderia causar um grande genocídio, além claro, de baixas americanas. Aliás, é complicado achar um inimigo de guerra que após a derrota do outro, ajudou o seu inimigo a se recuperar, é talvez por isso, que o anti-americanismo nesse caso é mais forte aqui que no Japão, que hoje é um aliado americano.

A vida de milhares em Hiroshima e Nagasaki ajudou a salvar milhares de outras e até o Japão. Foi um sacrifício heróico e eficiente e uma decisão muito difícil que quem critica muitas vezes não percebe (e não quer perceber) as nuances, afinal, se quer ser popular entre os intelectuais brasileiros seja como o professor Carlão, que é mais um comediante stand-up que um professor.

1- Info de Edgard, da OdC.

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