Zebras

Dez entre dez brasileiros começam a fazer uma defesa moral de si mesmos começando com “pago meus impostos em dia”, pagar impostos é o ápice da moral cidadã: você pode mentir, chutar a santa, beber até cair o quanto quiser mas se pagar seus impostos em dia sua dignidade se restaura, é algo tão bom que nem os lábios religiosos ignoram, pastores à parte que não desfrutam desse privilégio, mas os ateus estão a toda para que o governo tenha o dever de taxar entidades sem fins lucrativos, especialmente aquelas as quais eles não concordam com a existência. “Pagar meus impostos” se tornou, no jargão brasileiro, um grande direito de todo cidadão junto com “saúdeducação” e não um dever, uma forçosa obrigação. É o ciclo da vida não é? Por isso as zebras, na abertura do Rei Leão, foram comemorar o nascimento do futuro predador de seus filhos.

E porque pagar os impostos tem esse efeito? Isso parte da crença que o Estado é um bom samaritano, e o seu suado dinheiro conquistado pela sua imoral cobiça e egoísmo será redimido através dele, talvez por isso a dona da Daslu tenha sido tão massacrada, afinal como pode alguém sonegar o dinheiro do bolsa-família ou qualquer outro programa populista do governo? Melhor mesmo seria fazer jogo de cintura com o governo como a Apple, que amansou o leão porque “um Ipad em cada mão é um voto garantido na próxima eleição.”.Quantos benefícios a madame Daslu trouxe ao Brasil ignorando o fisco? Só não empregou mais funcionários que os editais do governo, mas certamente aumentou mais o PIB que todos os funcionários do governo juntos, é a diferença entre makers e takers.

Os americanos inventaram o “no taxation without representation“, em toda a história, rotaciona no poder o explorador, mas o explorado sempre foi um só, os americanos enjoaram disso, inventaram a Desobediência Civil e uns calvinistas quebraram o barraco com os ingleses por causa de impostos sobre o chá. O brasileiro inventou o “pago meus impostos em dia” e não pode fazer outra coisa a não ser muambar, sonegar e camelizar quietamente. O legal é que “pagos meus impostos” para um governo corrupto não soa tão cool, é como dizer que pago meus impostos na alemanha nazista, não te faz digno, de fato, you’re kinda a jackass. Daslu coitada, sofre porque sonegou sendo rica e podia financiar a casa nova de um mensaleiro, a Dona Irani paga muito mais que ela ao fisco e não sabe.

Sim, Jesus mandou dar a César o que é de César, uma das formas de demonstrar que nem mesmo o governo romano era tão moralmente corrupto, uma forma clara de ver isso é ler romanos 13, o universo romano tinha uma senda de verdade divina, foi cristianizado e suas instituições persistem até hoje. O nosso governo, bem, é o governo do Anti-Cristo…

Charles Fernando:

Do fratello Filipe Liepkan.

Postado originalmente em Filipe Liepkan:

Neste excelente texto do Charles Gomes retorno à antiga, porém pertinente discussão que envolve a formação do Estado Laico e Confessional. Isso porque existia, ainda que na doutrina mais comum, a ideia central do laicismo enquanto Estado neutro na relação religião-coisa pública, forma pela qual o Estado Confessional era seu antagonista iminente. Eis que o laicismo acomete na inexistência da religião no Estado e o confessionalismo, o contrário. Mas a aproximação constante e inevitável do laicismo contemporâneo para com o Estado Ateu fez do “homem laico” (aquele que anseia incessantemente pelo secularismo, inclusive dentro dos templos) o espectro do Estado não neutro, mas intencionalmente imbuído do sentimento antirreligioso e, portanto, convicto em estabelecer limites ao pleno exercício da religião.

Essa interessante simbiose parte da neutralidade estatal na afirmação da moral ao ponto de, logo em seguida, negá-la ativamente em nome do laicismo. O Estado, quando ainda submetido às rédeas…

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A fraqueza do Estado Laico

E se eu te dissesse que ao contrário do que muitos religiosos dizem, cristãos são contra aborto por causa da religião? Surpreso? É o que Scott Klusendorf, especialista em filosofia pró-vida, diz (Já postei uma aula aqui e um debate.).

Ele argumenta que a questão é metafísica e portanto religiosa, que nem ateus podem dar uma resposta sem apelar a argumentos que adentram a religião, respostas que definem o propósito da vida e nos ditam a realidade do mundo. Que, na metafísica ateísta não há base objetiva para moral (Concordam Dostoievski, NietzscheSartre e até William Lane Craig tem debatido constantemente sobre isso) portanto não há base objetiva para afirmar que humanos tenham valor moral intrínsico e daí se conclui que é impossível manter um sistema de leis com base nos direitos naturais sem religião, não só o direito à vida do feto está em risco, mas a própria dignidade humana não tem base moral no ateísmo  causando o colapso de todo sistema jurídico, já que nessa visão de mundo, moral é produto cultural e algumas vezes subjetivo, não algo revelado ou transcendente a ponto de ser realmente objetivo. O ateísmo não pode produzir um dever ser só conhecendo o ser, qualquer coisa além de potência e vontade esbarraria em um problema.

Por isso Estado Laico não pode julgar sobre o caso sem favorecer uma opinião religiosa, é muito comum dizerem a pegadinha “nem todos concordam com seu deus” para invalidar a opinião cristã e adotarem o monismo materialista e cientificismo ateísta que os cristãos não concordam, como se fosse uma opção neutra e superior a todas as outras capaz de solucionar o conflito.

Não há razão para o laicismo existir hoje, como bem se pode notar nos dias de hoje, católicos e protestantes estão muito unidos sob a bandeira do conservadorismo e a doutrina social da Igreja contra aqueles que são contra a religião: o Estado Laico não resolveu o conflito, apenas criou outro. Não estou aqui dando uma solução para o conflito entre ateus e religiosos, mas comento que o Estado Laico não pode resolver esse conflito, que só pode ser resolvido em um Estado ateu como China, Coréia do Norte e Cuba ou um Estado Confessional como Inglaterra, Dinamarca, Suécia, Finlândia, Escócia. Ateus, façam suas escolhas.

Grow a thicker skin!

“O mundo vos odeia”, diz o evangelho, “porque primeiro odiou a mim”, em João 15 temos o primeiro indício que os cristãos não serão tratados com amores em sua vida terrena. Jesus não pediu para fariseus se retratarem por o chamarem de beberrão, simplesmente chamou eles de raça de víboras. A capacidade de suportar criticismo, muitas vezes injustos é uma virtude e uma promessa que todo cristão deve se exultar por estar recebendo.

Jean Wyllys aprendeu com Bolsonaro a ultrajar seus adversários, e eles ainda não perceberam a estratégia do mesmo, provar que o pai do Papa Bento XVI era anti-nazista e que o Papa mesmo desertou a juventude hitlerista podendo ser pego e tomado pena capital por traição seria o suficiente para envergonhar o deputado de suas assertivas imbecis, mas os católicos tomaram outra estratégia, não permitindo o injusto criticismo e pedindo uma retratação, ora, que importa a opinião de um ex-BBB? Concordo que a língua não é diferente da mão do ladrão e portanto a palavra mentirosa deve ter responsabilizada, mas Jean fez uma clara provocação afim de atrair pra si atenção, e os católicos ingênuos e apaixonados ao impedir opinião contrária ao Papa fez Jean exemplar que seus opositores querem falar que homossexualismo é tão pecado quanto estupro, mas aplicam essa liberdade de expressão seletivamente. Isso não é de hoje, ao adotar termos como Cristofobia para classificar algo tão sério como a perseguição cristã estamos parecendo cada vez mais  uma paródia do movimento gay. Se formos pedir retratação de cada pessoa que ofende o papado, seriam praticamente 400 anos de calúnias e difamações ou até mais.

Eu creio no justo direito de blasfemar dos ídolos modernos seculares, de deuses alheios, da idolatria da matéria, de mitos e mentiras,  linguagem é um instrumento, e é contra-intuitivo dizer isso em um período tão relativista (que permite estupro de menores em outras culturas, mas impor valores é chocante demais!) mas é exigido muito boa educação para manusear palavrões e blasfêmias. Que adolescentes saiam por aí xingando sem disciplina nem entendimento não pode remover a liberdade de um palavrão na hora certa para repreender o mal e ultrajar uma sociedade decaída, causando o choque necessário para um posterior arrependimento. Afinal, Jesus não xingou o farisaísmo, xingou os fariseus, Isaías ao disputar com os profetas de Baal comentou que o ídolo deles não respondia às orações talvez porque estivesse no banheiro, isso quando não apelar e quebrar a imagem do ídolo alheio, cristãos não deveriam ser muito fãs da liberdade religiosa laica que é cria do relativismo (mas fica para outra vez comentar isso com William Cavanaugh do meu lado).

Claro que devemos falar com linguagem forte com alguma raridade e não sempre (Veja como William Lane Craig usa de sarcasmo por exemplo), mas creio que como o mundo tomou toda a liberdade de usar a linguagem ultrajante e insultos contra a religião porque zelosos entregaram esse campo de bandeja, acabamos perdendo espaço e relevância no meio cultural e isso significa que perdemos muitos jovens, que entendem a linguagem do bullying melhor do que ninguém, quando se acessa sites de humor na internet, piadas com Jesus são fáceis de encontrar, e cristãos ainda não acharam o wit chestertoniano necessário para fazer humor com os seculares.

A Tensão entre Ordem e Liberdade

As universidades foram fundadas para sustentar a fé pela razão – e para manter a ordem na alma e na sociedade. Minha própria universidade, St. Andrews, foi fundada no século XV pelo Inquisidor Escocês de Corrupção Herética para resistir aos erros dos lollardos [1], os igualitários daquela época. O ensino das primeiras universidades tanto ordem quanto liberdade ao intelecto; e não havia paradoxo algum, pois ordem e liberdade existem necessariamente em uma tensão saudável.

via Mídia Sem Máscara – A Tensão entre Ordem e Liberdade na Universidade.