Menção

Guarda com toda a diligência o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.

Se procede que os mandamentos são amai a Deus acima de todas as coisas e ao próximo em sequência, é consequência que Deus condena todos os amores que desrespeitam ambos mandamentos, e assim nos ensinaria: Condena-se “Amar algo, mesmo o próximo, acima de Deus e amar algo que não seja Deus acima do próximo”.

Segue-se que o amor não justifica a si mesmo se não obedece a hierarquia e a ordem criada pelo Senhor. O que pouco se percebe é que aqui se condena o amor ateísta, dos desígnios da carne e dos namoros passageiros, por ser um amor desobediente à primeira menção, não colocando a prioridade do coração nas mãos de Deus.

Vive a vida

Resumo e desabafo sincero da minha vida nos últimos meses.

Primeiro você se acha inteligente. Depois você abre os livros e percebe que você é burro. Aí você conhece Olavo de Carvalho e vê que é mais burro do que você achava que você era. Depois de ler um livro ou outro, você se acha o Platão do século XXI. Depois de ler mais alguns livros, você acha que pode mudar o mundo e acredita que vai convencer todos dessa experiência salutar. Então você percebe que as pessoas não estão interessadas nisso; você perde amigos. Perdendo amigos, você se sente sozinho e começa a questionar-se se esse é o caminho correto. De tanto falar sozinho, você fica amigo de Deus. Depois de sofrer com a solidão, Deus te apresenta um ou outro amigo que vai partilhar dessa dor contigo – esses serão os amigos até depois do fim. Depois de ler mais alguns livros, você percebe que a maior parte das discussões intelectuais, na verdade não passam de uma briga pelo ego, pelo orgulho, aonde um quer mostrar que sabe mais do que o outro. No início você participa disso e se acha o FODÃO por saber meia dúzia de frases prontas. Depois você percebe que é tudo futilidade. Com a leitura de mais alguns livros e de uma dose maior de Olavo de Carvalho, você percebe que não vale o esforço de mostrar a verdade para quem não quer enxergá-la; seu esforço deve ser por motivar as pessoas a buscarem o Novo, mas caso elas não te escutem, siga a vida. Você vai percebendo que o mundo não é tão bonito como as pessoas acreditam, você percebe que paz não é ausência de guerra, que amor não é falta de brigas, que sonhos não se realizam, que não se pode ter todo conhecimento do mundo, que as pessoas não vão te aceitar pelo seu modo de pensar, que você vai sofrer por amor por viver uma vida diferente dos outros homens; você vai sofrer por ser homem de verdade. Você percebe que dinheiro não é nada comparado ao desejo de conhecer o lugar de onde surge toda beleza; você percebe que a vida quase sempre termina mal, mas que a esperança no Eterno te dá um algo a mais; você percebe que deve agir única e exclusivamente por amor a Deus e as pessoas, mesmo que elas te maltratem. Você conhece um admirável mundo novo, não aquele de Huxley, mas um verdadeiro mundo novo; ou melhor, um mundo real, pois todos estão vivendo em ilusões. Vive a vida quem busca a Verdade; tudo aquilo que foge disso, é mentira. E dia após dia você vai tomando consciência de que és um nada diante do Tudo, de que és pequeno. De que mesmo com tudo isso, a vida vale muito e que contemplar os fragmentos da Verdade, é o que te move.

Ademir Amadeu.

Formalismo

Formalismo também pode ser servo do extremismo e ocorre quando vagabundos usam de um papel de uma árvore anônima como autoridade sobre todo um povo que os rejeita. É absurdo o radicalismo de, cortando a cabeça de todos os corruptos da nação, mantenham-se de pé sua projeção sobre o Brasil, mantendo investiduras e imposturas por culpa que, uma vez, foram aprovadas por outros corruptos na forma de leis. O Brasil precisa de uma ruptura de pelo menos 40 anos de trevas: o povo precisa de outra estrada para caminhar, não pés novos.

Invencível

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Eu não posso ser meu corpo

Pois ele é presente de Deus para a morte

Eu não posso ser a minha mente

Pois à noite ela se apaga

Eu não posso ser meu coração

Pois ele é para a solidão da divisão da carne

O invencível em mim, esse é quem verdadeiramente sou

Eu sou o que sempre será, sou somente o que não pode não ser.

Unilateral

Todo o espetáculo da salvação reside no fato de que Deus amou o mundo primeiro, muito antes de obter resposta e ser amado pelo homem através de seus santos.

A salvação dependeu inteiramente desse gesto de amor unilateral, de ter entregue a vida através de seu filho sem pedir nada em troca, e até hoje uma boa parte da humanidade pelos quais morreu o ferem e batalham contra ele causando furor apocalíptico e dor.

Aos que amam, amem mais ainda, e busquem ainda, perseverando no mandamento que Deus impõe, e regozijar de serem sofredores mansos sentindo a rejeição de Cristo. A verdade é essa: ninguém ama ao mesmo tempo como uma largada de corrida. O despertar unilateral é doloroso e desigual, mas se verdadeiro haverá oportunidade, não certeza de causar conversão.

Traves

Há um limite para a aceitação da hipocrisia no meio conservador? Certo é que o hipócrita é melhor que o apologeta do mal, que sob a lei do consenso torna nobre toda conduta anti-natural e maligna. Mas o quão gravosa tem de ser sua conduta para ser rejeitada como evangelismo?

Quão conservador pode ser um homossexual que promove a lei natural enquanto seus impulsos são anti-naturais? O quão sinceramente conservador pode ser um pedófilo, um pornstar, uma meretriz e um PSDBista? Um ladrão pode condenar o roubo com sua boca e continuar roubando?

Ainda é preferível dar oportunidade a quem não busca oportunidade, ao sujeito que se constrange, se humilha e tem mais tempo de experiência na luta contra os instintos que neófitos inconstantes em busca de fama. Os oportunistas percebem a inspiração de religiosidade evangélica no meio conservador, buscando a fortuna do público de pastores ex-viciados, ex-drogados que lotam igrejas. Paralelamente tornam-se líderes no meio conservador os cuja autoridade vem da expectativa da extrema perversidade ter se tornado extrema santidade, mas converter-se ao conservadorismo sem converter-se a Deus não deveria ser causa alguma de heroísmo.

De trave em trave o conservadorismo acabará cego, condenando esquerdistas de iPhone e adorando o predadorismo sexual do machismo secular. Ao Estado cabe cumprir Romanos 13, perseguindo o mal e premiando o bem, e não há nada conservador em buscar um estado mínimo tão fraco que não interfira na atividade do mal.

Espada

O vício mais velho e constante do pensamento liberal é a confusão entre ideais e realidades. O típico liberal entende a política como um conflito de interesses regulado por normas consensuais, que vão desde a Constituição, as leis eleitorais e o código penal até as regras de polidez. A política, nesse sentido, exclui toda forma de violência ou brutalidade, não só física como até verbal. Mas a política É isso por essência, de maneira universal e constante? Obviamente não. Por toda parte observa-se a resolução de conflitos políticos por meio da guerra civil, do genocídio, da corrupção, do assassinato de reputações etc. O liberal, portanto, toma como definição objetiva o que é na verdade apenas a expressão de um ideal e desejo. Quando ele diz “a política”, deveria dizer “a boa política, no meu enteder”. Pior: esquece que, nos raros casos em que esse ideal chegou a realizar-se, foi por meio de algum tipo de violência inaugural que instaurou o reino da convivência pacífica por meio da liquidação física dos inimigos da nova ordem. O belo modelo anglo- anglo-saxônico, no qual com freqüência os liberais tão deleitosamente se inspiram, jamais teria se implantado sem a Guerra de Independência, nos EUA, e o morticínio estatal dos católicos, na Inglaterra. Na realidade histórica, a política só pode ser descrita objetivamente mediante uma inversão da fórmula de Clausewitz: não é a guerra que é uma continuação da política por outros meios, mas sim a política que é uma continuação da guerra por outros meios, quando não pelos mesmos.

A política PODE, em certos casos, apoximar-se daquilo que o liberal quer e imagina que ela seja, mas, quando isso acontece, é no mais das vezes por meios opostos e hostis a esse mesmo ideal.

O.d.C.

Desconforto

A busca pelo desconforto é o que torna a pobreza bem aventurança, não a pobreza pela pobreza. O soldado cristão caminha em aclive contra o vento, tendo seu coração aflechado e suas pernas em lama sem que isso tire seus olhos do seu oponente invencível. Um cristão pode sim viver uma vida comum sem que Deus reclame, buscar acumular riquezas e aparências sem dividi-las com Cristo, mas somente quem guerreia para Cristo pode ser partícipe de sua fortuna e vitória final.

Barganha

É difícil esperar que a rotatividade do poder não tente à corrupção ou o desleixo fiscal. O político profissional, aquele que não tem outro meio de subsistir e é o primeiro pobre à receber welfare do governo, tem apenas 4 anos para sustentar os 70 anos de sua vida. A única forma dele fazer isso é permanecendo no poder através de barganhas com empresários, com políticos em troca de cargos e ministérios ou ter supersalários.

Das três formas o monarquista levará vantagem.

Bom Ladrão

Não desejo comentar corrupção na coluna por crer que a equipe como um todo tem o assunto exaurido de trás para frente, mas o slogan de que a corrupção é culpa da sociedade é errada e nada mais é que o transporte do slogan que joga todo crime de roubo e assassinato na vítima para o argumentação política.

O argumento assume que os corruptos representam a sociedade, ou seja, nós temos uma perfeita democracia mesmo sem a presença de uma direita. E também assume que o socialismo funcionaria se não houvesse corrupção, que é uma doutrina tão bela quanto o cristianismo, que há pecadores e necessita de santos.

Primeiro, os corruptos não representam a parte da sociedade que não votou neles. Se vivemos em uma democracia, esse raciocínio é simplesmente lógico. Culpar toda a sociedade portanto é excluir a existência de uma oposição e aceitar como bom todos os abusos que evitaram que houvesse um contraditório, um freio ao totalitarismo.

Segundo, é mais que conhecido que uma pequena elite midiática e universitária de esquerda cria e decide os profissionais políticos no país. Eles sim estão sendo bem representados e agora como se sentem avatares da vontade popular querem culpar a sociedade. É a ideologia deles que conta, não o que o povo eventualmente deseje. Exemplo disso é a intensa luta do povo contra as instituições para que sua vontade de cortar a cabeça da presidente seja concretizada.

Terceiro, uma ideologia que justifique o roubo é má. Só existe bom e mau ladrão quando crucificados. Aceitando uma vez o roubo ético, por variadas necessidades, é quase impossível que o corsário eleito não queira uma parte do espólio. Entretanto, seria roubo mesmo se o corsário fosse um político impoluto como Hitler e outros esquerdistas. E é por causa de Hitler, Pol Pot e outros que sabemos que mesmo com líderes incorruptíveis, o comunismo não funciona.

Como os valores da sociedade nunca se transmitiram ao poder público – Explico que nossos avós que viveram no campo trabalhavam na extrema pobreza sem dependência do governo e sem roubar – é difícil culpar todos e portanto, não culpar ninguém.

Incorruptivelmente Maligno

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Eu não engajo intelectualmente com apologistas do nazismo ou comunismo. Quem eu acho que não merece uma resposta, eu simplesmente não respondo. Entretanto, o instantaneamente infame “Pol Pot Revisitado” de Counterpunch tem uma passagem impactante:

As pessoas que mandam nos Estados Unidos, Europa e Russia querem apresentar todas alternativas à seu mando como ineptos, sanguinolentos ou ambos. Eles odeiam líderes incorruptíveis, seja Robespierre ou Lenin, Stalin ou Mao – E Pol Pot. Eles preferem líderes malandros e os colocam no poder.

Eu não sei se o autor está certo sobre “as pessoas no comando dos Estados Unidos, Europa e Russia.” Mas ele tem meu número. Tanto quanto sei, Robespierre, Lenin, Stalin, Mao, e Pol Pot foram extraordinariamente  incorruptíveis, e eu os odeio por essa característica.

Por quê? Porque quando seu objetivo é assassinato em massa, a corrupção salva vidas. A corrupção te seduz ao caminho mais fácil, a se conciliar, a concordar em discordar. Corrupção não é um veneno que faz tudo pior. É um agente diluidor como água. A corrupção faz políticas boas menos boas, e políticas más menos más.

Eu li milhares de páginas sobre Hitler. Eu não me lembro do registro de nenhum ínfimo sinal de “corrupção”. Como Robespierre, Lenin, Stalin, Mao e Pol Pot, Hitler era um fanático assassino sincero. O mesmo acontece para a maioria dos maiores vilões da história – Leia o clássico de Eric Hoffer, The True Believer. Sinceridade é superestimada. Se somente alguns desses monstros farisaicos tivessem sido hipócritas corruptos, milhões de suas vítimas poderiam ter barganhado e comprado sua saída do inferno.

Bryan Caplan, traduzido daqui.

Grosseiro

Liberais deveriam se perguntar como está sua situação em países desenvolvidos antes de acreditar serem mainstream no Brasil. Não consta que os hospedeiros da liberdade econômica nos Estados Unidos, religiosos calvinistas, seriam seculares com um gosto por venda de órgãos, prostituição e jogos de azar.

Quando os conservadores trazem a liberdade econômica ao país, liberais comemoram. Quando a esquerda traz liberalização da maconha, liberais comemoram. É da vitória dos outros que os liberais colocam-se triunfantes.

É fato, um conservadorismo mais grosseiro nascido da versatilidade do filósofo é difícil de engolir, mas quem veste camisetas e slogans com os seus intelectuais, os defendem a ponto de se distanciarem da sanidade de uma moralidade básica não pode ficar chocados com palavrões.

É mais útil aos partidos brasileiros se alinhar ao conservadorismo republicano que o fringe  do partido libertário. Isso é somente uma questão de voto: utilitarismo libertário. Do contrário estaríamos apenas discutindo se capitalismo ou comunismo nunca existiram.