A queda

Assistir Der Untergang (Em português “A Queda: As Últimas Horas de Hitler”) é também revelador, a forma como os nazistas se comportaram quando seus sonhos e aspirações encontraram um fim e a morte estava próxima revela um pouco da iniquidade mundana que assola o país, e quiçá, da iniquidade em geral. Sexo, vícios, festas para esconder a tristeza, tudo isso são sintomas de um sonho que se foi, de um ideal humano que morreu. Visão similar aos últimos dias nazistas nos dá o ateísmo niilista, no qual nada mais importa, só podemos esquecer que o universo ruma à extinção e festejar em luxúria até o cansaço ou eventualmente a extinção chegar.

O Brasil é o país em que isso não só é sintoma, mas uma de suas características, um povo sofrido e oprimido mantém uma falsa alegria durante alguns dias, procurando aliviar-se das dores em vícios e libertinagem. São cinco dias de trabalho no qual o governo pega a maior fatia, e dois no qual se vive uma fantasia para esconder a realidade triste e inconsertável. O sonho de um Brasil grande que nunca chega, e o conhecimento de que somos uma civilização em vias de extinção assola no subconsciente: como levar o Brasil à sério? Não temos heróis.

E o cristão? O cristão não poderia participar de tal ilusão mesmo se quisesse, nosso objetivo na vida não é aproveitá-la, ao menos não como o mundo a aproveita, mas aspirar à divindade heróica em contraste à animalidade instintiva e cínica destes dias. Não há real alegria sem a participação pacífica de Deus nas nossas vidas, a alegria solitária demonstrada nesses momentos são o distanciamento da realidade e sofrimento. Podem nos chamar de masoquistas e doentes por martírio, mas não covardes.