Música Secular

Há certo grau de ingenuidade achar que o que fazemos não possui consequência, Chesterton quando comparou os santos budistas com os santos cristãos notou que os primeiros fechavam os olhos para si, e os últimos estavam arregalados para o mundo a sua volta, despertos. O cristão quando diz que algo que faz não tem importância se enquadra no primeiro tipo de santo, com sono e olhando apenas para seu ego, não é somente no caso musical infelizmente, mas na profissão, no tratamento com as pessoas e em cada situação pequena do dia a dia que muito cristão age como se não soubesse que ecoará na eternidade. Se é dito que cada palavra vã ou ociosa nossa será contada no dia do juízo, quanto mais nossos pensamentos ou ações.

Geralmente nossos pais cristãos sabem disso, eles vêem com razão que a letra da música é muitas vezes perversa e observa nos jovens que as ouve as piores imoralidades. Então quando um cristão se aproxima a ouvir a mesma música os pais temem que os  imite. Até digo que se nossos pais tivessem maior sofisticação ao ensinar como a música secular pode induzir ao pecado, nós concordaríamos com eles. Afinal é mais fácil discordar de nossos pais do que de Platão.

Eu ouço de tudo, e tudo o que ouço glorifico a Deus no que é bom, mas música secular tem geralmente o problema de a música ser boa mas a letra ser muitas vezes perversa. É possível ouvir música secular para obter conhecimento do zeitgeist, mas plantá-la em seu coração produzirá frutos muito ruins. Certamente Deus criou espaço para música de ira, melancolia, erotismo e até dark, mesmo que os atuais músicos tenham acertado no ritmo mas falhado na letra. Sentimentos humanos não são malignos, o são somente se não são razoáveis. O livro de Jó por exemplo é um livro extremamente melancólico, o erotismo de Cantares ou a ira demonstrada em Apocalipse são esses casos em que a bíblia mostra o devido lugar dessas coisas.

No momento eu estou vivendo um período muito nostálgico de ouvir música da época que eu queria viver (anos 30/40/50), isso seria inofensivo? Creio que não, eu tenho em mente de que posso incorrer em uma rebeldia em não aceitar que Deus me desejaria vivendo nesse século. Por mais que a música da época seja muito inocente, eu não sou.

Enfim, é necessário maturidade emocional ao se aproximar dessas coisas, o diabo afinal, era um músico nos céus. É a mesma maturidade para separar a ficção da realidade, a mesma maturidade para vendo o mal do mundo, não tornarmo-nos maus, maturidade essa que falta aos jovens do mundo que nossos pais temem que nós nos tornemos. Agora se Platão está certo, temos de saber que o que gostamos pode não ser correto, e é honroso incorrer nessa hipocrisia, afinal o ladrão que defende seu roubo não está sendo hipócrita, mas está cometendo algo ainda mais grave.