Se não te afeta diretamente, porque você se importa?

Qualquer um que tenha assistido os filmes do Charles Bronson percebem um padrão na maior parte dos personagens que o grande ator fazia: toleravam o mal até que um dia, o mal entrava com tudo na vida deles e o obrigavam a retaliar. Similarmente é comum a idéia de que por algo por não afetar a nossa vida diretamente não nos afeta nossa vida em nada. Assim, porque um cristão tem de se intrometer na vida sexual alheia? Nos gostos dos outros? É o velho argumento, se você não gosta, não faça!Amazing Fantasy 15 Spider-Man Origin

Provavelmente vivendo no Brasil nossas vidas não são afetada pelos cristãos mortos pela primavera árabe, e dependendo de onde você vive no Brasil sua vida não é afetada pelo número de brasileiros que morre no tráfico porque você não vive nesse ambiente, mas pouco a pouco, esses fatos vão mudando o mundo em que você vive e vão bater na sua porta com tudo, citando Robert Locke, em uma crítica ao libertarianismo “Considere pornografia: libertários dizem que devem ser permitidos por que se alguém não gosta, ele pode escolher não ver. Mas o que ele não pode fazer é escolher não viver em uma cultura vulgarizada pela pornografia.”

Quando se deixar alguém fazer algo errado sendo que teria o poder de ter evitado, isso se torna cumplicidade. E é por isso que o cristão tem alguns deveres morais com a sociedade em que vive não podendo se tornar indiferente à auto-destruição de seus inimigos (os mais beneficiados pelas políticas cristãs, deveriam idealmente, serem os anti-cristãos, mesmo que eles não gostem), afinal, isso seria demonstrar falta de amor para com eles e o contrário de amor é exatamente a indiferença.

Enfim, é uma das objeções mais fracas que se pode fazer e é usada para silenciar o outro lado, ao aplicar princípios econômicos como o laissez faire na moral se comete um erro: Embora sem moral não haja mercado e o mercado ajuda a enrijecer princípios morais, uma moral objetiva não é fundada no comércio, ou achada no supermercado, há claras objeções morais ao seres humanos que praticam o livre mercado, mas não econômicas quanto ao mesmo.