Ad Gostosum

Você já entrou em um debate onde por você usar certa fonte você é ridicularizado? Isso é muito comum na internet e é praticado especialmente por pessoas que não lêem a sua fonte e não conhece que a sua fonte lê as fontes deles e a descrevem perfeitamente para você. Veja por exemplo a aula de filosofia pró-vida dada por Klusendorf, em que metade do vídeo ele está provocando os alunos com os argumentos abortistas. Devo parar de assistí-lo por ele ser anti-aborto?

Esse é um dos erros mais comuns que se vê por aí, eu sou um dos que usam pessoas como William Lane Craig e Olavo de Carvalho até demais, e não encontrei uma razão justificada para não usá-los, não há por mais que esses autores cometam falhas, justificativas para desmerecê-los em debates em que eles tem razão.

Lembro que quando comecei a debater com católicos eu ainda tinha a ingenuidade de ir em sites de apologética protestante pegar informações, mas essas fontes não conseguiam convencer católicos e tampouco refutá-los, ao contrário, as falhas eram tantas que se perdia qualquer discussão, então obviamente parei de usá-los e passei a me informar em sites católicos, não que não haja bons sites de apologética protestante (só fui descobrir o Beggars mais tarde). Mas isso acontece com quem usa William Lane Craig ou Olavo de Carvalho? Bem… não! Porque devo mudar um time que está ganhando? Porque devo agradar meu adversário? Ora, não tenho dinheiro para investir em todos os livros do mundo, e nem que tenho o dever de ler tudo, que eu saiba, não conheço alguém que tenha lido e refutado o Mein Kampf.

Isso é uma tentativa de ad hominem (ilegítimo, pois toda falácia tem uma legítima exceção, todo debatedor de orkut desconhece isso). Como não se possui argumentos, procura-se desqualificar a pessoa, assim não precisa lidar com os argumentos dessas pessoas, por controlar as fontes se controla o rumo do debate. Isso na era virtual é muito fácil, onde a reputação de alguém pode cair em um clique, desde o fim da inquisição soltaram os Voltaires das gaiolas, na idade média a língua do mentiroso não era diferente da mão do ladrão. E como no Brasil intelectualidade só serve para ganhar dinheiro, fama e mulher, a verdade que não é lá muito popular pode ficar pra próxima e o argumentum ad gostosum ganha debate: sou mais gostosão que você, você perde.

Não se deve fiar a inteligência em debates, por todos seus esforços em debater com gente ignorante te torna ignorante, refutar um Dawkins ou um Emir Sader não é o mesmo que refutar um Hume. Mas pressione sua fonte até que sejam obrigados a justificar porque essas fontes não devem ser usadas, dificilmente conseguirão, pois a única razão é medo de ter de topar com elas numa discussão.