Empréstimo

Se há algo que felizmente foi emprestado por excelência dos religiosos pelos neo-ateus (um termo que já virou brega) é o fundamentalismo. Não, não, você não leu errado! O fato dos neo-ateus serem obsessivos na pregação do ateísmo não é um problema, o problema é o conteúdo, não é problema ser fundamentalista, o problema são os fundamentos. Seria muito perfeito se não incorressem na hipocrisia quando denunciam a intolerância, e achassem que são perseguidos (quem acha isso, vá de bíblia na faculdade), a ponto de copiarem o movimento homossexual, crendo ser análoga sua situação, como no jargão “sair do armário”.

Aliás, a separação entre ateus e neo-ateus é considerada essa, que os neo-ateus copiando o “ide e pregai” cristão corre o mundo evangelizando a agenda secular. Não ignore que o movimento neo-ateu seja muito mais anti-conservador, sendo essa sua real agenda, do que anti-religioso, essa apenas serve de blefe. Observe como abortismo, eutanásia dentre outras propostas progressistas são as mesmas propostas pelo cientismo racionalista dos cavaleiros do neo-ateísmo.

Foi essa virtude neo-ateísta que despertou o cristianismo: a quantidade de teólogos, apologetas, cientistas cristãos que hoje estão em evidência mundial já é bem grande, e agora os cristãos sabem que não somente tem de ir na igreja no domingo e chamar Deus de glorioso e santo, mas explicar o porque, eles trouxeram o debate “Deus” em pauta e importância num mundo que agnosticamente poderia tê-lo ignorado e silenciado o cristianismo pela sua insignificância em uma sociedade cada vez mais sem Deus. Sedentos, barulhentos e ansiosos, se usaram da tragédia de 11 de setembro, e da solonência intelectual cristã, para tentar dar o golpe definitivo no espírito humano, e vai demorar, se nada de malicioso ocorrer como ocorreu no iluminismo quando difamações ganharam status de verdade, para perceberem que deviam ter ficado quietos pois entraram numa batalha por uma causa que não entendem que irão perder.

E vão perder, e o cristianismo estará mais perto de sua força medieval se vencer, mas isso não significa que não há problemas, como a quantidade de pessoas que acusam os neo-ateus de intolerância, sendo a intolerância uma grande virtude. Quando se discute a forma e não o conteúdo, abre-se caminho para o relativismo, e isso tem se tornado um problema em debates, quando cristãos passam a defender a forma da lei e não o conteúdo moral, acabam demonstrando fraqueza em frente à guerra cultural, afinal a guerra é cultural, sendo a guerra legal apenas consequência. Por isso, o esquerdista está sempre correto ao questionar o cristão conservador se ser homossexual é moral ou não, e o cristão, errado em evitar dar uma resposta a isso e mudar de assunto, pois se trataria de uma resposta incompleta, e subterfúgio na letra da lei, enquanto as normas sociais são mudadas em fronte de seu nariz.

Na Idade Média era possível evitar o herege, hoje, com o advento da mídia, fica impossível dar “unfollow” e não receber um “retweet” na sua timeline, uma notícia, um post de blog, ninguém hoje está livre do herege, por isso não adianta lhe pedir trégua ou tolerância, sendo que é impossível silenciá-lo ou não ser incomodado por ele, já que todas as mídias, especialmente as virtuais, são abrasivas e suas angústias acessivelmente consoladas a cada dígito. O ateu, negando o direito de Deus ser glorificado, é esse novo herege, não formalmente pois não é membro de nenhuma igreja, mas herege quanto ao gênero humano, já que todo escrito, douto ou não, deve reconhecer que Deus não é bom, mas é a própria Bondade. Cabe o cristão, em seu ide e pregai, falar a mesma língua que eles, já que como disse C.S. Lewis, “Deus nunca se faz de filósofo diante de uma lavadeira.”, e tampouco, se faria de lavadeira a um filósofo.