Etiqueta

Para se esquivar de dizer que a lei impõe certas condutas, dizem que elas são meras autorizações, cabendo ao indivíduo decidir o certo e errado por si mesmo, leis permissivas autorizariam certas práticas malignas, e seria, idealmente, possível que uma sociedade moral pudesse conviver com leis que regem mas não governam, porém uma sociedade dessa seria pós-apocalíptica, e não necessitaria de Estado, tampouco de leis. Esquecem-se que ao fim, toda lei se usa de violência.

Simples lógica, que se alguém proibir ou coagir certa pessoa, por meios físicos leves ou por assédio moral afim de que essa pessoa abandone uma conduta imoral, ela poderá se socorrer nos braços do Estado que se usará de maior violência para deter o indivíduo que estiver impedindo a pessoa de tranquilamente realizar o mal, esse tido como direito seu de escolha. Assim, o pai que impede a filha de abortar trancando-a no quarto está tirando um direito dela e sofrerá as sanções por fazê-lo, o pai, ao ser coagido moralmente a agir para impedir um evento maligno que a lei se abstém, se torna o grande algoz e vira alvo da lei.

Além de que, tal tipo de lei sobe aos muros, imaginemos que a lei autorizasse o assassinato e dissesse este ser de cunho subjetivo, seria cargo da pessoa decidir se o patrão que trata os empregados desumanamente seja ou não humano e então decidindo este não ser humano, poderia matá-lo como um pernilongo, e o patrão não poderia revidar nem ser defendido, já que estaria tirando um direito subjetivo do assassino, tal absurdo já é evidente quando se discute sobre aborto. Quando pegamos um assassino em flagrante, não queremos saber o que o mesmo pensa de nossa legislação, de sua vítima, e de nossa civilização esperando que o mesmo sinta remorso e busque livros do Gabriel Chalita para aconselhamento, o encerramos na prisão usando de maior força que ele. Talvez esses indivíduos, não querendo impor nada a ninguém usando de sua superior etiqueta, convidem os assassinos seriais a entrarem no cárcere.