O bom ladrão

Há duas coisas a serem notadas no espetacular vídeo do ladrão sincero, uma é que hodiernamente o grosseiro se justifica honesto por sua franca anti-socialidade e desamor com o próximo, conquanto a sinceridade ainda não possui força de constituir-se numa virtude que é a retidão. O malfeitor pode ser um malfeitor sincero reconhecendo-se como tal, continuando racional e lógico em seus erros, o problema é tentar justificar a prática de sua maldade sob a honestidade.

Duas, a amoralidade do capitalismo permite que o governo aja como bem convém, é que se é viável gastar dinheiro ganho imoralmente ou moralmente com imoralidades, é possível justificar o gasto governamental com cavadores de buracos, pois não se pode dizer que o patrocínio da luxúria é superior ao patrocínio da preguiça, se é viável ao indivíduo o gasto imoral, e o gasto lúdico, por que é inviável ao governo o desperdício? Essa peça do quebra-cabeça se conserta na moralização cristã do livre mercado e não no problema da consensualidade libertária que acabaria na destruição do Estado.