Amputadas

Voltando à imagem é razoável ao moderno compreender a temperança cristã ao seu semelhante pecador: ao ver o ladrão tendo as mãos amputadas, apesar do reconhecimento do estado de selvageria não se imagina que roubar seja uma conduta irrepreensível, contudo, dado à sutilezas de forma a preservar sua sociabilidade, o homem novo esconde que não apenas deseja civilidade na hora de punir, mas parte em defesa da tolerância do ato repreensível, isso não somente na transformação social da vítima em criminoso e criminoso em vítima, mas isso também ocorre quando, trocando o sujeito pelo Estado Robin-Hoodiano, se defende o roubo de qualquer quantia desde que postulado naquilo a que se chama de lei, sendo sua licitação o suficiente para moralizar o ato.  Não é com salve que se alegram aqueles aos quais se destinam os espólios? Não é com alguma fadiga que estudam os homens em abarrotadas universidades para tornarem-se participantes burocráticos da pilhagem e se salvarem do dilúvio econômico na arca de noé estatal? E similarmente o trato ao homossexual, o trato com o divórcio, e demais condutas imorais ou graves que não possuem mais prescrições penais ou estorvos civilistas que desencaminham de uma futura seara penal, mas que agora devem ser incentivadas de forma positiva, derrubando qualquer sinal moral de intolerância não só legal, mas social ao mal e sua aparência.

É entre a brutalidade que responde ao pecado com pecado e a anomia que reside a temperança cristã, na conciliação do intolerante “Não peques mais” com o “perdoai setenta vezes sete”. Quando Paulo tratava da Lei Natural julgando os que desconheceram a Cristo, entendia que essa lei tinha sua maior expressão na lei moral dos comandos divinos, aquela a qual o Cristão folga em cumprir como Cristo cumpriu em seu ministério terreno, e por isso pode conviver distante de qualquer governo em civilidade, se ele dizia que aquela Lei era a norma natural para o pagão, porque haveremos nós de pensar o contrário?