Secessão

No ideal de tolerância universal está contida nitidamente a justificativa de um governo único e global para a raça humana, mas fato é que cosmovisões são em última análise escolhas, que apesar da razão apontar a elas, a razão não pode forçar um ultimato sobre elas, nisso reside o oposto do governo global: o direito à secessão que nasce da descoberta que a intolerância não é má, que negá-la é cair na contradição de intolerar o intolerante, e por isso não existe uma transcosmovisão neutra em relação a todas as outras, pois em nome da neutralidade se impedirá os homens de não serem neutros e portanto, não serem homens, seres que tomaram o fruto do conhecimento do bem ou do mal, e portanto por sua existência tem de tomar partido.

O exílio cultural de comunidades de nascença na busca de encontrar territórios em que imperam leis que conformem com uma cosmovisão em comum é o nacionalismo como apresentado pelos americanos que tem na ideologia jusnaturalista cristã o elemento fundacional de sua nação, não é a toa que no cerne do americanismo há o espírito pioneiro e imigrante. Foi o puritano que cobriu suas leis de uma objetividade moral contida na torá e nos profetas judeus que aprendeu da Europa, mas não similarmente o faria o ateu, e o islâmico faria mais ou menos parecido, que sob nações que se fundamentam em antigos territórios e usam da ferramenta do laicismo para os unir há o inevitável conflito e o uso do Estado uns contra os outros só promove o totalitarismo de esquerda pela presença de grupos parasitários que não vêem problema no aumento do poder do governo, desde que seja para eliminar o inimigo, nota-se que sempre ganha o grupo mais agressivo, como vemos a Rússia ortodoxa e o Brasil lgbtista.

A solução mais pacífica diante dos conflitos cosmovisionais é exilar-se, sendo a solução conflitiva a revolução, mas nenhuma pode perder tempo a lutar pela tolerância que porá o homem na anarquia do relativismo moral criada pelo niilismo do determinismo genético do ateísmo liberal, afinal para o tolerante a inexistência de virtudes lhe causa menos trabalho, e por isso não é tarde para criar esperança de um retorno do império da cristandade, se a tolerância não a destruí-la antes.