Impede

É também observável que cobrar do Estado a prática da caridade é como cobrar da Coca-Cola que fabrique computadores: apesar de ter capital para isso, se observa um claro desvio de função que foge à intuição comum. A função da política é ordenar o sadio desenvolvimento da pólis, não fazer show de TV publicando caridades afim de votos, coisa que no governo, ninguém quer fazer com o próprio ganho. Ao governo é dado o dever de reconhecer direitos naturais, mas cada vez mais tem se tornado o braço armado da moral esquerdista, que pela coerção legislada transfere a responsabilidade pessoal para o sujeito burocrata, transformando-o num ser angelical de sentidos morais especiais incomuns ao sujeito civil. O problema é o preconceito econômico da esquerda com a produtividade, tendo um Estado com uma infraestrutura insuficiente para cuidar de todo o poder divino de controle que lhe concedem em seu altar: de cuidar do ambiente, dos sentimentos criminosos e crimidéias, de Gaia, dos pobres, dos jovens, dos velhos, do ensino, da saúde. Ao governo da natureza, de Deus, sobra reclamações.

O brasileiro então vive a contradição: o Estado faz nada eficientemente, mas não impede de todo mundo cobrar mais áreas de atuação do Estado. Há poucos que enxergam que ao Estado realmente é melhor que seus planos não consigam sequer sair do chão.