Oposição

Sobre a unidade conservadora-liberal é bom ponderar o entusiasmo com que a esquerda se uniu em torno do Foro de São Paulo para consumir a América Latina com eficiente conspiração que deixa os conspiradores originais, os liberais, incrédulos. A impossibilidade da direita de se unir num churrasco e futebol no fim de semana se deve ao idealismo à ortodoxia, que é muito mais forte na direita que, olha só, na esquerda maquiavélica, que muda os valores segundo o jogo de poder. A pergunta que o conservador deve fazer a si mesmo é porque o liberal irá se aliar com ele, agredido pela mídia moderna, quando compartilha dos valores do progressismo da esquerda dominante, só divergindo com valores referentes à liberdade econômica que pode ser estrategicamente abandonado.

O revolucionário original, o liberal, é um novo conservador, cauteloso dos delírios do estopim que incendiou ao criar o leviatã republicano para eliminar a aristocracia e monarquia, tendo o conservador religioso como empecilho que deveria ter sido destruído no passado, não lhe soa vantajoso uma aliança sob a liberdade econômica quando o religioso ainda está no seu sapato. A economia livre sequer é síntese do conservadorismo, os conservadores originais, católicos por exemplo, possuem uma desconfiança prudente do capitalismo que se iniciou com políticas anti-usura, o causador do conflito medieval com os imigrantes judeus. O modelo de conservador americano poderia até ser chamado de exceção calvinista, dado os founding fathers terem visto o iluminismo com otimismo na criação do país, importando o melhor da europa unindo fiscal e social conservatives, popularizado no Brasil por Olavo de Carvalho como uma maneira de unir defensores da liberdade econômica e moralidade religiosa numa única bandeira.

A questão é ao fim, o projeto de dominação da esquerda tem por bandeira a legalização das drogas, aborto, casamento gay, quem entre o liberal e o conservador pode ser julgado culpado de fazer oposição?