Fundos

Pelos fundos do humor, e pelas mil e uma noites, se procura descobrir a linha tênue entre liberdade de expressão e a agressão. Não é razoável imaginar que pessoas imperfeitas sejam impossíveis de serem ridicularizadas, nisto, todo ser humano é passível de ser humilhado. O cristianismo, que teve início com a divindade, foi adiantado por homens, e por isso é falível e portanto, historicamente imperfeito como todo fruto da história humana, o protestante é tão cristão quanto o católico, por mais que ambos tenham muitas críticas históricas a fazer sobre o outro, enquanto protegidos pelos seus respectivos governos: no reino anglicano, zombar dos católicos era norma social, assim como, vice-versa, na espanha católica, ao que não entendia a regra, a fogueira. No Brasil, o governo pela Caixa patrocina aqueles que são mais laicos que os outros, tornando todo boicote uma piada.

Idéias tem consequências, piadas colaboram com idéias, sem elas o niilismo jamais teria ganho a influência sobre o mundo, pois a descrição substituiu o significado, tornando todos tolos aos olhos do cientista, afinal, um velocista de fórmula 1 nada mais é do que um louco que corre em círculos o mais rápido possível arriscando a própria vida no processo, a religião também é como o esporte nos sacrifícios dos santos, e por isso riem-se dela.  A discriminação social vê-se, também é sempre apoiada de forma jocosa, pois é preciso essa forma para entenderem aquilo que é complexo os intelectualmente não sofisticados.

Por isso, piadas são ofensivas e inofensivas, dependendo do contexto e das idéias que defendem, um humorista que incorpora uma persona que é figura vilã está teatricamente a interpretar Satanás, afim de ensinar o que não se deve fazer, e rindo-se dele, riem do diabo. Uma sociedade madura é capaz de depurar através do entendimento as boas idéias das ruins por trás de cada piada, separando a ficção da realidade, punindo com a dissociação discriminatória aqueles que defendem heróicamente o mal sob o manto da sinceridade, e se torna um meio muito mais eficiente do que os burocratas do governo. Porém a sociedade brasileira, imaturizada pelo estudo unificado que ensina a ler sem entender, ver sem interpretar, já demonstra que sem o papel dos iluminados do governo, é incapaz de demonstrar qualquer sinal de defesa própria, até mesmo a honra positivada é prova concreta que não há honra alguma, pois qualquer desonroso pode se valer do sistema.  Assim, o governo patrocina a interpretação que lhe convém, e condena a que lhe opõe, como dito anteriormente, a maior arma política da esquerda é a estultícia.

A blasfêmia, punida com a morte, significava um crime pois tratava-se de ofensa contra o pacto judaico, e ainda hoje, a blasfêmia significa o mais mortal dos pecados, ferindo o novo pacto. A blasfêmia é a perda do direito à vida pois ela ofende aquilo que por ser sagrado sustenta toda a ordem natural. O blasfemo seria o defensor do genocídio da humanidade, aquele que busca, pela língua, denegrir a única oportunidade de salvação dos homens do destino eterno nas chamas em troca do paraíso passageiro do mundo, não é incoincidência que as idéias que tiveram as consequências mais genocidas começaram com uma visão ateísta e materialista, a inquisição que nos guardava de Marx e Hobbes não nos pode proteger de Robespierre nem dos próximos anti-Cristos, e hoje tampouco nos protege daqueles que de forma tola felizmente ri daquilo que não entende, se entendessem, jamais se poderiam ainda salvá-los.