Semáforo

Do mero semáforo que não funciona à uma má escolha de vestes há uma ação que causa desordem no universo: pequenas atitudes contra a ordem, e a esquerda compreende, não são isoladas de causa e consequência, mas o conservador diferencia-se do monopólio ideológico brasileiro pois longe de fazer uma avaliação positiva do caos, opta pela avaliação positiva do ordenamento, que nasce da experiência criada pela persistência dessas ações caóticas no tempo, tornando necessárias medidas para afligir o persistente, desestimulando o vício da sua continuidade que poderia virar uma má tradição, um semáforo que não liga um dia incomoda, um semáforo que não liga todos os dias, incomoda mais e tem de ser trocado. É por isso que há divergência no método de protestos, pois a esquerda vê virtude na perturbação, e a direita na promoção da paz.

Há poucos povos capazes de amar tanto a desordem, o brasileiro é um destes, a desordem positivada é uma prova, como várias outras até chegarmos aos clichés como ‘jeitinho” e “malandragem”. O jovem, criado numa existência sem valores nem planos, cultivado no niilismo, sem saber a que veio ou para onde vai, costuma ser o elo mais frágil a compreender essa verdade da sociedade brasileira, e com a coragem dada pela maioria da mídia e universidades, até internacionais onde não seriam aceitos, explora a fragilidade da ordem, aproveitam-se da sua hipossuficiência de adolescente para agirem como pequenos revolucionários, fazendo a distribuição de renda que qualquer ladrão de esquina faz, para eles nada como ter uma licença para destruir, pois a retaliação sempre soará injusta, o perigo de ser esmagado pela lei é impedido pela prudência, e com esse anel de ganges podem continuar agentes de uma cultura plenamente afundada no esquerdismo rasteiro da inveja e preguiça, que são os valores da busca pelo topo sem os esforços da caminhada, uma cultura que vê mais dor na mão do nocauteador que do nocauteado. Um semáforo apagado é um acidente, mas descobrir ser capaz de causar desordem similar torna-se um vício, e fazendo-os, declaram-se a si próprios acidentais.

A bíblia resolvia isso dando a cada fiel uma alma a salvar, mas o coletivismo é a total remoção de qualquer avaliação fora do plano material. A pobreza em si não é virtude, é uma das piores danações a qual sofreu de Davi à Jó, o amor à pobreza é o ódio aos pobres, assim como aquele que ama a doença odeia o doente, contudo, a pobreza, assim como a doença só obtém valor quando faz parte de um propósito, os monges empobreceram-se para erguer o Império da Cristandade, o cego foi curado para provar a divindade de Cristo. Ser pobre por ir em contradição ao mundo é uma grande virtude, mas ser pobre para agradar o mundo é o pior dos males, quando pior é este que manobra-se no jogo político em que é possível cair até Papas, aquele que desnuda-se do dinheiro porque descobriu aí um meio de influenciar mentes que só acessam a superfície da realidade, um meio de rodear-se do poder das armas é nada mais que um perverso. Por isso a luta para amadurecer enquanto pobre fadiga, luta para manter-se decente com poucos recursos e tendo menos coisas a serem cuidadas poder cuidar bem de pouco, o sacrifício deste para manter-se na ordem é desestimulada quando ele não busca a coroa do mundo, a qual o diabo o tenta dia a dia a aceitar se fazer de vítima para sustentar governos de assaltantes.

A riqueza nada mais é do que cercar-se do belo, e com pouco é possível fazê-lo, pois a beleza se acha na elegância da simplicidade. O homem feio, a nenhuma roupa ou marca, por mais bonita que seja, pode salvar-lhe, ao homem belo, mas pródigo que enche-se de marcas que pregam estilos diferentes, estraga sua beleza natural por inúmeras demarcações que distraem de qualquer atenção a si, e não nota que as marcas desequilibram-se esteticamente. O equilibrado sempre será o mais econômico, capaz de observar tons, vivacidade e encontrar a musa inspiradora em qualquer artesanal. É rico enfim, aquele que sabe gastar dinheiro.