Falibilidade

A sobreposição dos direitos humanos aos direitos naturais está cheia de evidências hermenêuticas que poluem o Brasil, quando se usa este termo vago para diminuir o direito à vida que possuia a vítima, atual ou potencial, para beijar as mãos do agressor. A vítima morta não pode mais se ressocializar,  e por isso não pode ver que tratam a vida do agressor como de valor maior que a sua numa estúpida pedagogia, mantendo-a quando este zombou irrefletidamente de seu direito à vida, como qualquer animal em estado natural não respeitaria: ao cão que agride um homem, o abatimento soa justo e é certo, mas não soa a um homem que se comporta como animal. Não se trata de clichês policialescos, mas do uso sistemático da anomia que mais serve à desestruturação da sociedade, enfraquecendo seus laços com a realidade e a subjugando diante do Estado, favorecendo a sobrevivência do burocrata.

Ora, não há civililidade no estatolatrismo, que pede que o cidadão livre coloque-se em risco de perder seu direito à vida pela confiança na infalibilidade da segurança estatal, que merece guardar todas as armas pesadas para si impedindo a criação de qualquer milícia e qualquer auto-defesa individual, a hipocrisia é enorme quando políticos pregam desarmamentismo sentado no exército militar que o defende, e podem ferir os direitos naturais sem que isso gere uma guerra civil.

O ser humano é falho, e as instituições nascem para diminuir as consequências dessa falibilidade, mas não superá-las, pois instituições erram e causam danos e injustiças em proporções muito maiores que se deixasse a mesma diligência aos indivíduos, a barbárie estatal é historicamente muito maior que a individual. Se ao fim, a instituições são boas porque tem por maioria homens bons, e se corrompem quando tem por maioria homens maus, é claro que o mundo se divide na diferença proporcional das pessoas que mais se alinham ao bem que ao mal, bem este que pode ser executado em qualquer proporção.

Lembro-me dos filmes de cowboys, que diante da impotência das instituições presentes, as auxiliavam a livrar a cidade massacrada pelos bandidos. O xerife brasileiro é mais arrogante, e prefere morrer levando a sociedade junto à conceder que o crime o venceu.