Espelho

Por trás do moralismo esquerdista anti-Copa há a maravilha do auto-interesse dos caridosos, afinal, como pode o Estado redistribuir a renda para os estádios e esquecer do funcionário que mais defendeu o parasitismo, seja na educação ou na saúde? Qual o valor de um atleta em face do educador ou médico? Assim a indignação é na grande questão de como gastar dinheiro, e não como fazer dinheiro: fazer dinheiro no Brasil é quase crime, mas gastar todas as pessoas cheias de bondade no coração sabem, especialmente se for gastar com elas, nisso a superfaturação é amplamente desejada, ao contrário de obras superficiais como estádios. O futebol é o melhor alvo pois ele sozinho transformou moradores de favelas em milionários, e com isso fez mais que todos os esquerdistas da educação juntos que busca conscientizá-los a exigir o dinheiro dos outros como direito, tudo não passa de uma disputa de atenção motivada por rancor contra o mal do capitalismo que torna as pessoas ricas.

É claro que não é necessário receber votos para ser parasita, mas também votar, e no brasil parasita vota em parasita, o brasileiro assim cavou a sua própria cova chamada “saúde e educação pública e de qualidade” quando declarou-se dependente dos afagos sentimentais dos políticos, declarou-se tão dependente do dinheiro público quanto José Sarney, Lula e as empreiteiras, os assim escravos por opção se fizeram também parasitas do governo e do dinheiro público.  Como este é um parasita ingênuo que esperava que os seus representantes fossem melhores que si mesmos, sobra-lhe a revolta diante da cretinice aberta em vez da sua própria escondida sob o coitadismo: ser freeloader é uma característica intrínsica de todo brasileiro, tanto que virou o princípio fundamental do discurso político.

Como a corrupção brasileira é legítima mas a lei não pode torná-la moral, resta uma acusação de hipócritas sem fim nas eleições afim de fazer o ladrão ingênuo pensar que finalmente receberá a sua parte do furto se votar no parceiro certo. Fato é que enquanto corre a indignação, escolas e hospitais devem parar para ver jogadores rolarem uma bola e ao fim, estarão todos apenas olhando-se no espelho, e quiçá, haverá urros de gol em meio à gemidos de dor: o crime não compensa.