Roubo

O pior tabu no Brasil não são homossexuais beijando na novela, mas dizer que salário mínimo é roubo, e não existe roubo mais sagrado ao coração do brasileiro, que acredita que salário mínimo é universal quando sequer é reconhecido no socialismo escandinavo. Como as pessoas não vêem a não publicação de uma entrevista em uma revista privada como censura, não deveriam ver a ausência do salário mínimo como um crime contra a humanidade.

Ter um direito à propriedade de outro, sem permissão, através de receber um salário muito além da riqueza e do valor que produziu ou se pode produzir é nada mais do que tratar outros seres humanos como gado que tem a obrigação de te dar leite. A linguagem de direitos serve para obscurecer a imoralidade da descrição do fato praticado, cujo processo de pensamento é julgar o valor objetivo do mercado como inerentemente injusto e o capitalismo como doença curada pelo estatismo escravagista fazendo uns escravos dos outros enquanto burocratas possuem o chicote, é uma rebelião contra a natureza pelo vício da preguiça de esforçar-se a atingir um salário melhor pelos meios reais, acomodando-se a própria corrupção no mínimo do artifício legal. Ao fim, é viver na mentira, se fosse do interesse do patronato sempre reduzir salários, só pagariam o mínimo à todos, e se o mínimo fosse suficiente, para que se esforçar em produzir uma sociedade rica? O raciocínio é o mesmo de qualquer ladrão hipossuficiente faz antes de cometer um assalto, buscando ter domínio sobre a vida de outrem, de onde deriva sua soberania, que precede a sua liberdade e propriedade.