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Polícia do Sobrenatural

Título Original: Policiando O Sobrenatural Ou Porque as Pessoas Modernas Não Podem Acreditar Em Milagres.

Pela compreensão de todos, Modernidade data seu nascimento em 1648 na Paz de Vestfália. A Paz de Vestfália findou a Guerra dos 30 Anos e estabeleceu a moderna relação entre a Igreja e Estado. Parte disso foi a criação de um sistema interno do Sacro Império Romano que deu irrestrito controle da Igreja para o Estado Secular. Outras confissões de fé seriam toleradas (por exemplo, Luteranos em territórios Católicos), mas seus cultos teriam de ser privados e ocorrer em lugares e horários determinados pelo Estado Secular. Estrutura da Igreja e doutrina eram para ser ditados pelo soberano.

Devemos observar que essa particulares relações sociais não são simplesmente circunstâncias neutras. Eles inculcaram nas pessoas, e também pressuporam, uma particular estrutura ôntica da realidade. Então, por exemplo, restrições ao Cristianismo para o reino privado e a total subordinação da Igreja ao Estado ambos devem pressupor certas verdades sobre religião e sua autoridade, assim como certas coisas sobre metafísica.

O que então daí se assume? Especificamente, ele assume que criação é em si como um reino auto-contido e autônomo. Deus, religião, e o sobrenatural estão divididos desse reino na segura região da consciência (i.e., a “privada” antes que “pública” prática da religião) e o transcendente. Logo, contrário à antigas tradições cristãs de ambas lei natural e tipológica interpretação Escritural (ambas as quais assumem um padrão de eventos históricos e a estrutura da natureza possui significado inerente.), não é inerente significado da realidade. Realidade é um reino neutro, autônomo, feito de causas materiais, discernível e facilmente controlados por racionais e autônomos sujeitos humanos centralizados (pense Descartes e Bacon). Humanos podem da perspectiva de sua subjetividade superimpor significado nos neutras causas e eventos materiais. Mas isso é julgamento subjetivo e privado que não podem ser apurados no reino público como o real e o objetivo.

Por essas pressuposições, se torna claro do porque religião, ciência e seculariedade emergiu do jeito que que foi nesses recentes poucos séculos. Como podemos ver, no fundo, a emergência da Modernidade tem pouco a ver (como nós somos constantemente contados na narrativa Liberal do progresso!) com os inícios da investigação racional da realidade, o reconhecimento da dignidade humana, e a destruição da autoridade arbitrária (de fato, se alguém buscar a história da Modernidade, o oposto acontece! Mas isso é outro post). Antes, a insistência moderna na divisão de fato/valor, como a insistência que um apelo às causas materiais sobre sobrenaturais é inerentemente mais racionais, é simplesmente um subproduto de uma certa narrativa social da realidade que emergiu das modernas relações entre Igreja e Estado. Em suma: o reino do material, onde o Estado possui o monopólio do controle, é o reino do real.

Logicamente falando, o Estado Secular pode somente controlar causas materiais. Ele não pode controlar causas sobrenaturais. Dizer que há causas que não são materiais mas sobrenaturais, é colocar certas realidades fora do controle do Estado. Isso parece altamente perigoso, desde que a intervenção de clamores sobrenaturais sobre o mundo real resultou em extrema disrupção social. De fato, isso é o que os arquitetos da modernidade acreditaram que aconteceu durante a Guerra dos 30 Anos. Luteranos, Calvinistas, e Católicos havia todos competitivas alegações sobre autoridade sobrenatural. O estado, não podendo restringí-los, foi tragado a essa guerra longa e irracional. Autores ingleses viam a guerra civil inglesa em muito da mesma forma. É claro, não é bem assim que aconteceu, mas é assim que eles acreditavam ter acontecido e então eles consideraram importante remediar isso.

Por essa razão, não surpreende que Thomas Hobbes (por exemplo), começa Leviatã com uma visão materialista da natureza humana. Em outras palavras, se tudo é material, então o Estado pode controlar tudo e então não haverá outra guerra civil inglesa (i.e., uma guerra sobre verdades sobrenaturais). Voilá, Hobbes aceita que o estado irá possuir uma religião, mas que o rei ou quaisquer que seja o soberano terminará tendo direito de interpretar a Escritura. Interpretação contrária é socialmente disruptiva e então o Estado tem o direito de suprimí-las. No Contrato Social, Rousseau nos conta que o Estado deve simplesmente criar uma religião que irá impor seu monopólio em poder. Não importa o que ela ensina, mas se as pessoas a contrariar elas devem ser mortas. Os revolucionários franceses seguiram esse aviso, e estabeleceram a “Deusa da Razão” na Catedral de Notre Dame.

Isso também coloca Liberalismo teológico em nova perspectiva igualmente. Para não dizer pior, Liberalismo teológico tem pouco a se recomendar puramente sobre bases lógicas. Bispo Spong nos conta que não não podemos acreditar em milagres. Mas porque não? É um silogismo fácil: se Deus é Deus e portanto o criador, ele pode fazer tudo. O nascimento virginal cai na categoria do “tudo”. Igualmente água em vinho, a Encarnação e todo o resto. Mas quando você perceber que a narração social da realidade da Modernidade restringe a religião ao reino do julgamento privado (valor e não fato!), então fará mais sentido do porque Liberalismo teológico tem maior apelo.

Primeiro, considerando interpretação Bíblica, as Escrituras seriam simplesmente renarradas na base da moderna distinção entre fato/valor. Se nós admitirmos que o sobrenatural já ocorreu, então significa que o real não está restrito ao material e portanto o monopólio do Estado Secular seria quebrado. Daí o empreendimento de modernos estudos críticos da Bíblia, inventados por Spinoza e Thomas Hobbes no (adivinha!) meio do século 17, simplesmente vai à bíblia e redescreve o texto como um produto de iminentes forças sociais em vez de sobrenaturais. Tem esses estudiosos acesso à essas forças sociais? Não. Podem eles provar que elas existiram? Realmente não. Apesar disso, o que falha logicamente e historicamente, funciona para as pessoas modernas num nível retórico. Para alguém que foi aculturado a ler toda a realidade na base de puras causas materiais controláveis pelo Estado, seria um pleito especial ler as Escrituras diferentemente (nós ouvimos isso algumas vezes na alegação de ler a bíblia como “um livro como os outros”). Desde que a Escritura ainda possa prover “significado” e “valor” (Mesmo que ouvimos que eles são fatualmente falsos em vários níveis), nenhum dano teológico é feito (como eles dizem!). De fato, se você participar de um colégio protestante ou seminário mainline (como eu) reconhecer essa distinção de fato e valor como uma base de interpretação Escritural é visto como sinal de maturidade teológica. Pensando que “essas coisas realmente tinham que acontecer” para serem verdades teológicas em si, é vista como algo infantil. É algo que as pessoas irão superar assim que elas maturarem e aprenderem mais.

Logo, Liberalismo teológico (e outras formas de teologia moderna) tende então a restringir sua teologia ao valor e significado. Isso pode ser visto em maior ou menor grau. Para pessoas como Schleiermacher, Cristianismo é totalmente sobre a experiência de absoluta dependência mediado por Jesus. As alegações históricas para isso são necessárias (Jesus teria de existir e ter superior Consciência Divina), mas mínimas. De novo, teologia e Deus estão restritas ao reino privado e interior. Eles não são perigo aos clamores do reino secular. Neo-Ortodoxia (de ambas variedades Barthianas e Bultmannianas) também se alinham nisso. Barth em um grau menor por sua piedade, entretanto ilusória retórica de transcendência; Bultmann (e Ebeling com ele) com sua inversão de relacionamento Reformacional entre fé e a Palavra de Deus. Por essa razão, Cristo “ergueu-se na mente dos discípulos” e toda aquela conversa oca. Em vários graus, teologia impõe “significado” ao reino dos “fatos”. Sendo significado privado, ela perde a força de verdades públicas sobre como a realidade realmente funciona e então perpetua o estabelecimento modernista, deste modo reforçando o irrestrito poder do Estado de controlar cada aspecto da vida humana – incluindo seus ditados do que constitui o real. Alternativamente, quando teologia fez clamores sobre como o reino público devia ser regido, ela é vista como destrutiva (i.e., o movimento anti casamento-gay.) ou útil ao grau de fazer o jogo da narrativa Iluminista de progresso (i.e., teologia feminista e da libertação).

Traduzido daqui.