Branda

Se uma ditadura tem uma característica de direita e dez de esquerda, qualquer ato cruel mesmo isolado merece reprovar o todo, contudo, ditaduras de esquerda são sempre consideradas “brandas”, principalmente as que apelam ao caloroso coração latino, essas são capazes de matar a fome e serem humanistas, conforme diz a propaganda oficial (a esquerda desconfia da imprensa livre), as ditaduras de esquerda sempre merecem uma revisão, um apelo do contexto. Os cheios de bondade no coração não desejam ver os números incrivelmente desfavoráveis a ela quando comparam os seus humanistas, o grande problema da esquerda ainda é ver diferença entre mil e milhão para se revoltar mais com o último que com o primeiro.

É mister entreter a idéia de que um argumento verdadeiro tem de soar moral, as pessoas não se conformam com a verdade sendo incapaz de mover os seus corações, de não seduzí-las com o mesmo poder que o faz a mentira, portanto o esforço da esquerda em soar razoável, cautelosa quanto ao sofrimento humano e moderada quanto às suas ditaduras tem seu apelo quando pinta um oponente extremista, alguém cuja sensibilidade moral não sustenta que os fins justifique os meios. A esquerda assim procede em soar razoável os seus extremistas convertendo-os em moderados para o público afim de implantar similar sistema em suas mentes, enquanto que o outro por ver a maldade de seu regime, vira um extremista maniqueísta.

Um público bárbaro ao ouvir alguém não civilizado vai tomar o seu lado contra o opositor civilizado, ao mesmo tempo que um público civilizado se identificará com o civilizado, cada audiência demanda uma reação apropriada para comunicar superioridade. Para uma audiência emotiva e carente o intelectual de direita soa sempre frio ao sofrimento humano com seu ascetismo filosófico enquanto um manipulador profissional conhece a quem fala dada sua experiência em lidar com o público, por isso sempre terá a vantagem diante de um liberal que acredita utopicamente estar debatendo com justiça numa universidade ideal. Ao liberal que crê nesse mito iluminista por assistir debates em universidades de verdade, enquanto está vivendo na penúltima educação do mundo, só pode ser por ingenuidade ou piada quando para demonstrar superioriedade, deixa-se sofrer bullying esperando que as pessoas vendo sua deficiência diante de um bruto, se compadeçam, sendo que não há compaixão no Brasil.