Radical

Duas coisas faz bem evitar, o academicismo e o culto ao livro. A sabedoria toma várias formas, e nem todas passam pela universidade ou são escritas, o grande problema brasileiro não é a falta de educação, mas o desprezo à ela, de esforçar-se cada dia mais em aumentar seu próprio valor na sociedade a partir da auto-consciência, de arrazoar sobre seu propósito e sua miséria, não pode examinar o testemunho de outros quem não adquiriu capacidade de examinar a si mesmo e testemunhar-se verbalmente. Na era da internet, onde cursos inteiros, livros, vídeos de aulas, palestras e debates estão disponíveis de forma mais gratuita que o ensino estatal, aquele que por barreiras bacharelistas não pode conquistar um diploma e abandona a sabedoria, só o faz por preguiça e não por incapacidade.

Também, a cultura da fonte, do elitismo brega de iluministas, ignora que não dá para ler todos os livros do mundo em uma vida, que nem todos os livros merecem ser lidos, como nem todos acrescentam conhecimento só por existirem, o multiplicar de leituras é enfado da carne e uma idolatria, o maduro conhece a que direção vai e por isso não se cansa nem se desvia com a boa mesura de seus passos conhecendo a técnica de como adquirir mais saber, somente o cansado pode valorizar cada livro que lê pois confunde seu esforço vaidoso com aumento de conhecimento, um esforço em acreditar em mentiras pois não possui o ceticismo necessário para não ser enganado.

Ambos são o radical, se o leitor em demasia crê-se adquirir mais conhecimento por ler mais do que lhe é pedido, o não-leitor se desencoraja por não pertencer à formalidade acadêmica. Um deseduca-se e barbariza-se a cada livro imbecil que lê, e o outro transforma sua mente em um ninho do mal.