Incumplicidade

Peça esdrúxula é a atual comparação entre desvio de verba pública e sonegação: embora ambos tratem do mesmo patrimônio em espécie, sua direção é diversa (o primeiro é dito sobre o montante que sai, o segundo sobre o cálculo que entra), tanto que o principal prejudicado pela sonegação é o corrupto, enquanto que quem lhe sonega é o usuário dos serviços públicos, a principal vítima dos esquemas de corrupção. Na absência de punibilidade ajustada, sobra ao contribuinte praticar o protesto silencioso de incumplicidade, adequando seu montante no crescimento da economia e não no crescimento do desvio. Isso tudo é razoável, pondo de lado a moralidade tributária (que se analizada, sem sua reforma liberal será sempre imoral).

Posto assim, logo se percebe que o ladrão político no Brasil, não só sobe ao trono do governo, como ele e seus partidários diz com ar de autoridade moral sublime às vítimas: “Então você não contribuiu com meu assalto?”